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Poemas
 


Livros e flores
Machado de Assis


Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

 

Pequena reflexão sobre o texto:

Um poema de um autor mais conhecido por suas obras literárias como Memórias Póstomas de Bras Cubas,Quincas Borba e Dom Casmurro, porem seus poemas tambem são muito admirados, este poema que colhi na internet confesso que não conhecia, mas assim que vi, percebi que ele não poderia ficar fora do nosso Blog.

Um poema que é uma declaração de amor onde o eu-lírico espelha seus gostos pessoas nas qualidades da amada,mais especificamente nos olhos e na boca, parte eróticas femininas.



Escrito por Renato às 14h59
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Amor é fogo que arde sem se ver

Luis Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Pequena Reflexão sobre o texto:

Se você não sabia o que é o amor descobriu o que é depois de ter lido este poema, camões resume com propriedade o Amor, naturalmente que cada um tem o seu significado de amor ,cada pessoa tem um jeito de interpretar esse sentimento,porem camões ressalta o fato de o amor estar acima do impossivel.



Escrito por Renato às 22h49
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O Amor

(Fernando Pessoa)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

 

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!


Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

 

Pequena reflexão sobre o texto:

O poema não tem muitas figuras de linguagem o que não dificulta o intendimento da poesia, é facil ver que o eu-lírico tem uma paixão e esta fazendo uma declaração de amor para a amanda em forma de poema pois tem vergonha de dizer o que realmente sente.Mas o que se deve detacar neste poema é a rima que é perfeita ,rimas intercaladas e não tem nem uma excessão.



Escrito por Renato às 22h40
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O velho e A Flor

Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:

O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor

Pequena reflexão sobre o texto:

Mais um poema de Vinicius de Moraes, Pra mim o homem mais romantico que ja esteve vivo nesse mundo.

Eu diria que o velhinho é ele mesmo que com palavras simples define o amor como ninguem.



Escrito por Renato às 15h52
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Falando de amor com Carlos Drummond de Andrade

A falta que ama

 
 
Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?

Pequena reflexão sobre o texto?

genial forma de falar sobre a falta do amor, um autor que fala magnificamente de varios temas diferentes, nesse blog há um poema dele que não tem nada a ver com amor, é um poema social que fala sobre as bombas que foram mandadas pelos Estados Unidoso,e agora ele fala de amor com a mesma propriedade que Vinicius de Moraes.

 



Escrito por Renato às 14h34
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Vamos mudar tema do blog para algo mais romântico,começamos hoje com Álvares de Azevedo.

Amor

(Álvares de Azevedo)

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha'alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

 

 

 

Pequena reflexão sobre o texto:

O eu-lírico está loucamente apaixonado por uma mulher que não pode obter ,me lembra a época do trovadorismo,onde o trovador fazia trovas para a mulher amada mesmo sabendo que ela nunca seria dele.



Escrito por Renato às 09h13
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Hoje temos uma poesia de Durval filho um poeta pouco conhecido,que faz poemas de cunho social como a linha de nosso Blog,o poema que vamos analisar hoje se chama CONSUMISMO.

Consumismo

(Durval filho)

 

Compra meio quilo de amizade.
– Ah! não esquece de pechinchar,
Se eu pudesse mesmo
Mandava comprar o amor.

Compra também um sorriso pro meu filho,
Ele está com saudades de mim.
Vê se tem propaganda na tevê.
– Olha! compra um sorriso bem bonito,
Daquele que eu já não sei fazer.

Veja nos classificados
Liquidação de mulheres,
Preciso arranjar uma de brilho leve...
– Viu! procure nos folhetos impressos,
Uma que aceite ficar...

E, por fim,
Traga o nosso jantar.

 

Pequena reflexão sobre o poema:

O poeta provavelmente estava em um momento muito inspirado, afinal conseguiu passar como poucos a mensagem, acredito que a idéia central do poema seja: o homem hoje quer comprar tudo, ele acredita que todas as coisas existentes no mundo vem com uma etiqueta, que tudo tem seu preço. No poema o poeta mostra com propriedade que nem tudo é comprável ,que a amizade esta acima do dinheiro ,que a felicidade não está nas propagandas e que o amor de um homem e uma mulher não se compra no jornal.

 



Escrito por Renato às 15h25
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Depois de 2 dias sem postar volto com um dos maiores produtores de versos em minha oponião,seu nome é Marcus Vinícius  da Cruz de Mello Moraes e o poema a ser analisado é A rosa de Hiroshima.
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas


Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária

A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

Pequena analise do poema:
Um poema que critica a bomba lançada pelo Estados Unidos na cidade de Hirishima na 2° guerra mundial,interessante destacar que o poeta é conhecido por suas poesias romanticas , é possivel ver essa virtude nesse poema também ,por mais social que esse poema seja ,o poeta chama a bomba de Rosa,acredito que seja pela forma que ela faz no céu quando explode. Um poema que não se preocupa com o fato da politicagem ,e sim com as pessoas que pela bomba foram atingidas,pelo efeito que ela faria nas gerações futuras.Um poeta muito humano.


Escrito por Renato às 17h58
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  Vamos Ler um poema escrito por  Carlos Drummond de Andrade, seguindo a linha do primeiro poema ,vamos continuar com poemas de critica social ,o poema se chama A Bomba.

A Bomba

A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores
A bomba
é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba
é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba
não tem preço não tem lugar não tem domicílio
A bomba
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba
mente e sorri sem dente
A bomba
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada
A bomba
tem horas que sente falta de outra para cruzar
A bomba
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação
A bomba
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés
A bomba
faz week-end na Semana Santa
A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos
interplanetários
A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose,
de verborréia
A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba
continnua a envenená-las no curso da vida
A bomba
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais
A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera
A bomba
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro,
cobalto e ferro além da comparsaria
A bomba
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.
A bomba
não admite que ninguém acorde sem motivo grave
A bomba
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos
A bomba
mata só de pensarem que vem aí para matar
A bomba
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe
A bomba
saboriea a morte com marshmallow
A bomba
arrota impostura e prosopéia política
A bomba
cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba
é podre
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
A bomba
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade
A bomba
tem um clube fechadíssimo
A bomba
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel
A bomba
é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris
A bomba
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos
de paz
A bomba
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas
A bomba
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger
velhos e criancinhas
A bomba
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer
A bomba
é câncer
A bomba
vai à Lua, assovia e volta
A bomba
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação
em cadeia
A bomba
está abusando da glória de ser bomba
A bomba
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba
o instante inefável
A bomba
fede
A bomba
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
A bomba
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
A bomba
não destruirá a vida
O homem
(tenho esperança) liquidará a bomba.

 

Uma pequena reflexão sobre o poema:

O poema A Bomba é um critica clara

 

Uma pequena reflexão sobre o poema:

O poema A Bomba foi escrito em meados da 2°GUERRA MUNDIAL, é um crítica clara aos estragos feitos pelas bombas atômicas lançadas sobre as cidades de Hiroxima e Nagasaki , interessante notar que o poeta faz desde criticas coerente e construtivas como:“A bomba vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados” e “A bomba declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade”. E faz também criticas emocionais ,são apenas de revolta do poeta como nesses versos:“A bomba fede” e “A bomba é podre”.Para concluir o poema o autor expressa um fio de esperança ,esperando que o homem se conscientize e destrua a bomba.

 



Escrito por Renato às 17h50
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Nada melhor que abrir um blog de Poemas com uma obra do tão admirado Mario Chamie, um poeta que  se mistura ao trabalhadores urbanos para fazer um levantamento de discursos que são recriados em poemas que incorporaram a fala de uma comunidade que só se reconhece pelas palavras trocadas entre seus membros. Com a escrita mais popular do poeta de ação, e contra o intelectualismo de uma arte pela arte, a poesia-praxis contradiz a historia dos poemas do homem brasileiro, desconstruindo um novo jeito de fazer poema.

  ai vai o Poema

O OPERÁRIO

 

 Sobre os meus ombros
     recebo a carga
     e chego à fábrica.
     Com minha farda,
     limpa de graxa,
     eu movimento
     o descompasso
     da vossa estrada.
     Agito a máquina,
     registro a marca
     de meu trabalho.
     Sobre os meus ombros
     nada desaba.
     Produzo o tempo,
     produzo o uso
     dos meus comparsas.
     Não danço,
     embora mexa meu corpo
     que vai e volta.
     Mexo meus braços,
     seguro a mola
     que me assalta
     atrás da porta
     da vossa tática.

 

Uma pequena reflexão sobre o texto:

O poeta vai muito mais longe do que falar apenas do serviço do trabalhador ,ele fala do sentimento ,lazer e movimentos corporais ,é possível ver como o poema é construído quase como um prédio. Observamos a instituição do Praxis criado pelo próprio poeta,vemos isso no uso das palavras “Comparsas” e “desaba” palavras que são do vocabulário de um operário.

 



Escrito por Renato às 18h17
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